terça-feira, 12 de junho de 2012

Oportunidade...

   Os teus olhos... Ah esses teus olhos, capazes de perfurar vontades e de arrebatar desejos. Soubesse eu o que eles escondem, que segredos guardam e que poder ostentam e tudo seria mais simples! Não fosses tu portadora de tal capacidade e dir-te-ia como esse teu olhar me atinge de rompante e me transforma num oceano que, de tão imenso, se faz onda e se movimenta sem direcção ou intensidade mensurável. Não que me faltem as palavras, não, apenas não consigo escolher (por não saber) quais as que quebrariam a gélida barreira que nos separa e que cada vez mais nos afasta de uma realidade por ambos conhecida. É precisamente esta incapacidade, esta incerteza que me avassala o pensamento e me faz congelar à mercê das tuas escolhas, das quais algumas parece nem teres consciência de fazer.
   Por vezes aparentas nem ser tu a detentora de tais acções! Esse tom de senhora de si e de alguém cuja frieza se alimenta do olhar fraco de quem te segue, essa forma de ser que faz de ti pessoa incompreensível e inacessível, esse gesto tão promiscuo que protagonizas, tudo aquilo que me faz prender a ti, a essa personalidade que tem tudo de imperfeita mas que me fascina!
   Sabes o quanto me atormentas ao adormecer? Conheces, por ventura, a imensidão de sentimentos que me obrigas a esconder por não t'os poder demonstrar? Lamentas o facto de me julgares e rejeitares sem sequer deixares que me dê a conhecer? Conheces ao menos quem te dirige estas questões e porque o faz? Temo em afirmar que a resposta seja negativa! 

   Permite, permite pelo menos uma vez, que seja um "eu" por existires como "tu", que exista um "nós" por quebrares essa barreira que impossibilita a nossa tão desejada união, que se façam das nossas mão um reunir de forças, que esta brasa flamejante que já quase se apaga seja novamente acesa e aqueça, permite sem receios ou ideias pré-concebidas!
   Aí, se me concederes tal momento, aí sim poderás conhecer quem sou e então julgar pela experiência aquilo que poderíamos um dia ter vivido se a minha mão não tivesse já encontrado uma outra, se a minha força não tivesse já tomado outra direcção e se fosses ainda o "tu" que completava o "nós" que tanto precisava de conceber!

   "Oportunidade", é esta a palavra que talvez devesse ter escolhido para quebrar a tal barreira que nos separava e que tu, mesmo sabendo que ela estava ao teu dispor, não usas-te quando assim se pedia. 
   Agora, que esgotadas estão as palavras, espero que o teu olhar se desabitue de ver-me em teu redor e que também ele, tal como eu fiz, encontre um novo ponto em que se fixar. Senhora de si? Hás-de continuar a ser, (senhora) de mim? Não és mais!

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