segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Escalada minha...

Há dias em que sinto que me falham as pernas e os braços. Estas primeiras não me permitem chegar ao ponto que há tanto tempo quero tomar como meu. Já os braços, esses, não me obedecem e teimam em agarrar outros objectivos que não o que tanto me querem ofecer.

São caminhadas atrás umas das outras, trilhos cada vez mais esguios que estreitam as opções de percurso e vales que se fazem seguir por montanhas que, num àpice, desfazem toda a calmia que até então havia sido estabelecida.

Inconstante, assim descreveria esta jornada. Meses passados, uns dias melhor, outros pior. Dias de lágrimas, ora de felicidade, ora de desalento, uma vez de ânimo e coragem pela voz dos semelhantes, outa vez dias de arrependimento e mágoa pela voz dos restantes. Mas assim aprendi a fazer escalada. Se calhar ainda não me tinha apercebido que a diferença está em ser eu a descobrir qual a melhor corda, o melhor gancho que me irá prender na melhor e mais sólida rocha e, aí sim, poderei chegar ao tal patamar que não alcancei até então.

Alguns podem chamar-lhe maturidade, eu prefiro chamar-lhe experiências. São vivências diárias, com outros corpos que a mim se juntam nesta batalha, que me levam até ao próximo nível. Se será o final? Claro que não, apenas um próximo, um próximo que segue de um outro e outro e muitas mais etapas que havemos de percorrer. Não lhe conheço ainda o destino - assim quer o tempo - nem sei quando irei dar-me a conhecer a ele mas, isso é certo, a cada dia que passa vou tentando recolher as ferramentas que penso (e é neste pensar que reside o meu erro) serem necessárias para a futura (incerta, porém) altura.

Como alguns de nós nos vamos apercebendo, nem todos os caminhos são apenas constuídos de pedras, terra e plantas: alguns têm também rios que nos fazem remar contra marés, ventos que o senhor manda soprar para ver quão forte é a nossa passada, temperaturas que nos fazem escaldar quando o tempo pede que estejamos frios... enfim, uma imensidão de outros factores adjacentes a este precurso que se torna tão penoso por vezes. "Quem corre por gosto não cansa", dirme-i-as agora, talvez! É certo e sabido que assim deve ser.

Tento, tentas, tentamos todos chegar lá e até juntamos mantimentos e unimos esforços. De vez em quando um caminheiro alcança a sua meta. Que alívio! Sorrio e dou com mais força as próximas puxadelas na corda que me serve de segurança (não vá a pedra principal ceder) e subo, e escalo aquela ingreme parede de rochas amorfas com mais vontade ainda. Será raiva este sentimento, o que me move até lá cima? Seguro que não. É, sim, uma vontade reanimada, uma paixão reforçada, um abrir de olhos que me encoraja a subir até ao cimo, mesmo sem saber que me espera por lá ou sem saber sequer qual será esse fim. Mas, aprende rapazinho, o que importa é ter-se um fim. Só assim sabes para onde puxar pela corda!

Haverá de certo quem deite pela corda óleo - faz parte - mas haverá também que erga escadas ao lado da corda que sobes e que te dê a mão quando precises!
Por isso, sim, precisamente por isso quero continuar a escalar para um dia mais tarde, mesmo que lá não chegue, possa dizer que me orgulho de ter tentado!

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