Surge, sentado no trono com toda a pompa e circunstância, o todo poderoso, sua majestade o Rei!
Botões reforçados, não vá a sua real barriga exceder as expectativas do tão abençoado alimento, e coroa empenada na cabeça, assim se acomoda sua realeza. Não fosse a burguesia gente de muita posse, enxerga no salão os pajens que, alinhados, se mostram apáticos e dispostos a fazer o que a tal brilhante mente se lhe apetecer caprichar. Passa o 1º passagem a mensagem aos restantes e assim se instala a confusão. "Quer o senhor os pés lavados com água dos jardins Helénicos?", "quererá, ao invés, um afortunado banho num dos seus reais banheiros?", "Ou será que qualquer um basta para satisfazer os caprichos do Senhor?"! Questionam-se os pajens sem sequer recordar (e a experiência é alguma) que façam o que fizerem, tomem a opção que tomarem como a mais viável, sua senhoria terá sempre um ervilha a fazer-lhe incómodo.
Acalma-se o senhor... adormeceu! Ora se não faltaria então a já conhecida preguiça que tão característica que lhe é. Fosse sua excelência Deus na terra e estaria o caldo entornado, e não me refiro ao que tinha no regaço quando adormeceu, não, falo sim dos pecados que tanto cobiça cometer e que a imagem que aparenta apresentar aos súbditos assim o impedem.
Ora, mas porque me engano? É dito e sabido que os pajens são surdos, são cegos, marionetas... enfim, são aquilo que o grande se lembrar que sejam! Vá-se lá sua senhoria lembrar de fazer da criada uma galinha e esta ainda acaba por ser osso na bandeja de prata que antes tinha de polir sem aparente razão ou causa que assim o justifique. Acaba então o jantar (pela 2ª vez, creio) e vai o senhor repousar a tirania na cama que herdou do avô e que a preguiça ordenou manter no quarto que cheira a dinastias passadas. Uma criada desdobra o lençol, a segunda ajuda-a, a terceira vem, gentilmente, descalçar os cansados pés de sua majestade (não fosse o peso do poder bastante) e assim se dá início ao complicado ritual que apenas lhe implicava que se deslocasse dois ou três passinhos.
Novo dia! Senta-se no trono a quem o dever assim manda e depara-se com a sala vazia. Grita pelos pajens e nenhum acode, grita pelos conselheiros e resposta não obtém, grita vezes sem conta (só até que se lhe canse a voz) e vivalma alguma dá de seu parecer. Diz-lhe a esposa que todos abandonaram o reinado. Enraivecido e em desespero por se ver sem quem lhe satisfaça os devaneios, grita: "Enlouqueceram? Não sabem quem detém o poder máximo? El Rei, será a resposta!". Ao ouvir tal discursata, pensa a cozinheira que voltou a buscar o farnel: "Pobre homem, toda a vida foi senhor e agora não tem sequer quem dele faça rei."
Cai o trono, cai o Rei, cai a virilidade que outrora ostentava... faz-se do poder nada e perde o senhor a coroa que não lembra ter sido feita pela mão de quem lhe obedecia!
Acalma-se o senhor... adormeceu! Ora se não faltaria então a já conhecida preguiça que tão característica que lhe é. Fosse sua excelência Deus na terra e estaria o caldo entornado, e não me refiro ao que tinha no regaço quando adormeceu, não, falo sim dos pecados que tanto cobiça cometer e que a imagem que aparenta apresentar aos súbditos assim o impedem.
Ora, mas porque me engano? É dito e sabido que os pajens são surdos, são cegos, marionetas... enfim, são aquilo que o grande se lembrar que sejam! Vá-se lá sua senhoria lembrar de fazer da criada uma galinha e esta ainda acaba por ser osso na bandeja de prata que antes tinha de polir sem aparente razão ou causa que assim o justifique. Acaba então o jantar (pela 2ª vez, creio) e vai o senhor repousar a tirania na cama que herdou do avô e que a preguiça ordenou manter no quarto que cheira a dinastias passadas. Uma criada desdobra o lençol, a segunda ajuda-a, a terceira vem, gentilmente, descalçar os cansados pés de sua majestade (não fosse o peso do poder bastante) e assim se dá início ao complicado ritual que apenas lhe implicava que se deslocasse dois ou três passinhos.
Novo dia! Senta-se no trono a quem o dever assim manda e depara-se com a sala vazia. Grita pelos pajens e nenhum acode, grita pelos conselheiros e resposta não obtém, grita vezes sem conta (só até que se lhe canse a voz) e vivalma alguma dá de seu parecer. Diz-lhe a esposa que todos abandonaram o reinado. Enraivecido e em desespero por se ver sem quem lhe satisfaça os devaneios, grita: "Enlouqueceram? Não sabem quem detém o poder máximo? El Rei, será a resposta!". Ao ouvir tal discursata, pensa a cozinheira que voltou a buscar o farnel: "Pobre homem, toda a vida foi senhor e agora não tem sequer quem dele faça rei."
Cai o trono, cai o Rei, cai a virilidade que outrora ostentava... faz-se do poder nada e perde o senhor a coroa que não lembra ter sido feita pela mão de quem lhe obedecia!
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