quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Luvas encharcadas de felicidade!

Hoje (dia de Inverno segundo consta no meu calendário), nevou na minha terra. Nevou na serra, nevou na povoação, nevou nas mãos frias dos pequenitos (luvas encharcadas de felicidade) e nevou ainda em cima das pequenas árvores, que até hoje não conheciam tal fenómeno. Ainda hoje recordo com saudade quando também eu encharcava as luvas com felicidade e brincava com os meus colegas ao “joga da inocente alegria”.
Ah tempo, esse tempo em que ainda nevava em altura de chuva nos beirais da casa velha ao pé da escola, tempos em que ainda as luvas eram impermeáveis à tristeza, à solidão...
Hoje as minhas luvas ficaram alagadas de melancolia e tristeza ao ver um miúdo, pequenino como os bonecos de neve que fazíamos com a felicidade que se juntava em molhinhos nas nossas mãos. Ali andava ele, sozinho, à procura de um telheiro para se escapar da neve que caía dos ramos do cedro grande ali ao lado. Fiquei triste por ver que ninguém lhe havia ensinado a brincar com a neve, a deixar que a felicidade e a alegria passassem para o interior das suas luvas, pequenas como as suas mãos, já roxas do frio que a solidão lhe trouxe. Toda aquela folia ali no chão, sob a forma de um manto branco, um manto docinho (nunca provaram?). Alguns dizem ser apenas água do céu, mas o miúdo de 5 anos que calçava as botas que o meu avô me tinha dado, dizia que aqueles pequenos flocos eram como pequenos doces que caiam lá de cima, como quando a avó sacudia o saco no natal, no fim do jantar, para ver se havia mais algum rebuçado por lá esquecido.
Hoje a neve fez-me recuperar aqueles tempos, a minha infância. Fez lembrar o apanhar de felicidade com as mãos, sim porque hoje o natal perdeu a sua magia. As crianças devem sim ser acarinhadas, devem sim receber alegria nas suas luvas, no Inverno (quando têm que ir sozinhos para a escola e não têm um avô que lhe dê umas botas quentinhas), se é só no natal? claro que não! Uma criança deve ser amada todos os dias.
Quantas crianças não se sentam em baixo de uma ponte onde corria um rio (não corre porque gelou) e pedem ao Pai Natal um pedaço de madeira para aquecer os irmãos mais novos? E quantas crianças não fazem das luzes de natal da vila ou da cidade o seu anjinho do presépio que nunca tiveram? A todas essas crianças, dêem-lhes luvas quentinhas para elas as irem encharcar de felicidade quando nevar!

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