quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quem sabe...


Porque há dias assim. Porque há dias em que me deixo ser a lenha que arde num imenso fogo, um fogo que faz de mim a cinza de uma emoção que outrora foi chama intensa. Porque há dias em que não me preocupo em calçar os chinelos para pisar o chão que deixas-te marcado num passado não muito distante... se assim fosse não poderia sentir as marcas que deixas-te nele. Porque há sempre impressões que não se devem apagar, por mais que elas nos aprisionem numa arca de receios e incerteza. Mas essa impressões, essas marcas; são elas que ainda hoje me fazem ver no vidro o que juntos escrevemos nele quando está frio lá fora. Pudesse eu limpar o vidro e ser dono da certeza que essa marca desaparecesse...
Existe sempre uma letra que custa mais a limpar, a apagar definitivamente, uma letra que teima em ecoar pelos corredores que já percorremos e pelos quais agora caminho na procura de um sinal do que um dia fomos. Não que queira agarrar-me a esse sinal, não, apenas porque cada vez mais preciso de ter a certeza de que um dia existiu um "nós".
Recordo-me que costumavas dizer-me pela manhã que o sol não brilhava com tanta certeza quando estávamos mal, mas então voltavas e fazíamos com que todo esse brilho, toda essa luz se gerasse num só abraço que parecia fazer parar o tempo que só voltava a correr quando soltávamos as amarras que o prendiam a nós.
Hoje essas amarras foram corroídas pela ausência de um sentimento que também se perdeu. Quem sabe um dia ainda nos encontremos e juntos o procuremos. Quem sabe...

Sem comentários:

Enviar um comentário